Saia Justa na Uniban

Posted on novembro 11th, 2009 in Gerenciamento de Crise

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Este assunto da mini-saia da menina na Uniban já era para ter terminado, não? Estamos em pleno século XXI e ainda se discute o tamanho da saia para ir à faculdade. Este episódio me lembrou uma guerrilha que os alunos de meu colégio fizeram em 1987 ou 88 no Rio de Janeiro. O grêmio do colégio foi para as ruas fazer o movimento Bermud-Aid (Luna, era assim que se escrevia?), uma espécie de paródia ao Live Aid, só que em prol das bermudas para todos na escola. A história era meio absurda porque só as meninas podiam ir de bermudas, um dedo acima do joelho, e os meninos não. Bom, todos os alunos foram para as ruas em prol das bermudas. Foi um super PR Stunt porque saiu na imprensa carioca em massa. Mas a conclusão do Bermud-Aid não foi muito feliz: os padres-diretores do colégio proibiram as bermudas para todos, inclusive meninas. No calor carioca!

Neste caso da Uniban, a instituição de ensino que tem como principal formar pessoas para viverem e principalmente conviverem em sociedade decidiu pela condenação da moça da mini-saia que foi expulsa. Foi uma decisão rápida e arbitrária, como a proibição das bermudas pelo colégio naqueles idos dos 80 no século XX (só um aparte para contextualizar para os mais jovens: foi pré-queda do Muro de Berlim, pré-Fernando Henrique, pré-Internet, pré-celular!).

Mas este nariz-de-cera é para levantar a discussão do que mais me chamou a atenção na já longa história: como uma instituição como a Uniban não se apoiou em uma agência de PR para ajudá-la a gerenciar a crise e colocou em risco o prestígio e os atributos de sua marca? A universidade avaliou de forma errada, tomou as decisões erradas e a história que era para ter começado e terminado em um dia está tomando proporções internacionais – já saiu no The New York Times, The Guardian etc. Era a típica crise que poderia ter sido cortada pela raiz no início e ficado no ABC, região em que fica este campus. Para isto, recorreria a profissionais experientes de PR na linha de frente para organizar e atender todos os “agentes” envolvidos. Alinhar atitudes com todos os públicos: a moça de mini-saia e seu advogado, a imprensa, o CA dos alunos (ou semelhante), o MEC etc. Uma estratégia e um discurso únicos para acertar com todos e a marca da Uniban sair o mais ilesa possível.

No entanto, a opção foi a arbitrariedade. E a conclusão foi uma mancha para marca Uniban – chegou-se ao ponto de hoje na CBN um entrevistado comparar a expulsão da menina com a música de Chico Buarque, Geni, aquela que sofria de bullying na escola já que as crianças jogavam pedras nela . Mas a conseqüência mais grave de tudo isto é que os alunos que estudam na Uniban e pagam suas mensalidades com esperança de um trabalho justo e decente no futuro ganharam uma macha no CV. E acredito que mesmo tendo sido revogada sua expulsão, a menina com sua mini-saia irá à Justiça reivindicar o que achar de direito e entrar em outra faculdade.

Beta Paixão

3 Responses to “Saia Justa na Uniban”

  1. Roberta, entendo sua posição e ela é bastante pertinente, porém, todo “mestre de obra feita” tem menos dificuldade em ditar soluções. Hoje, em cada boteco, ponto de ônibus, sala de espera ou fila de banco, as pessoas têm a estratégia perfeita que evitaria essa crise. Não é preciso nenhum phD em conflitos no Oriente Médio ou, como você disse, profissionais experientes de “PR”, para mostrar como isso seria evitado, pois o que deveria ter sido feito é extremamente óbvio. Mas, como invariavelmente acontece, o lado de fora desconhece totalmente o que o corre do lado de dentro, aí fica muito mais simples indicar com propriedade o que está errado. Mesmo assim, no meio de tanta pedrada, é importante saber que existem pessoas preocupadas com a imagem da marca. Inclusive, pode ter certeza que, dentro de todas as limitações que você desconhece, existem diversas outras pessoas trabalhando muito para conseguir a difícil missão de reverter, ou pelo menos minimizar, essa crise.

    Abraço

  2. Bom artigo! Eu era do CSA na época da Bermud-Aid! Mas ainda nem tinha o direito de não usar o uniforme! Quiçá bermudas!!!
    Abs

  3. É questão pra relações públicas e gestão de crise ou simplesmente de valores – a imagem física é um direito da pessoa humana.

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