É notícia?

Posted on julho 16th, 2009 in Jornalismo, Relacionamento com a imprensa

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Na outra semana, uma notícia me chamou atenção na imprensa – até porque nossos olhos estão ainda mais atentos para o mercado publicitário das grandes agências de propaganda porque há um mês atendemos a Fischer+Fala!. Na capa do Meio & Mensagem , o publicitário Nizan Guanaes estampava uma matéria sobre a pretensão dele em abrir um escritório em NY. No Propaganda e Marketing, a informação foi mais categórica de que abrirá em agosto. Nada contra o Nizan ou suas intenções. O que me fez pensar foi o porquê de os jornalistas fazerem uma matéria de capa sobre a intenção ou o futuro.

A mesma notícia já tinha saído em colunas de grandes jornais na semana anterior. Até aí ok  já que algumas colunas gostam de dar na frente uma informação mesmo que ela seja uma especulação. Mas daí esta notícia virar capa dos principais veículos do trade de marketing? É claro que há um cenário favorável para a notícia uma vez a agência DM9 foi premiada em Cannes, mas volta a indagar “fazer uma matéria de capa sobre a pretensão de alguém em fazer algo”?

Até onde entendo pretensão ainda não é um fato. Se não é um fato, não é uma notícia. Se não é uma notícia, por que estampar capas de jornais? Entenderia perfeitamente uma matéria sobre a premiação da DM9. Entenderia uma reportagem sobre o que o publicitário pensa sobre a propaganda e o prêmio. Mas sobre a pretensão de abrir um escritório realmente não entendo.

Muitas vezes os clientes nos pedem para divulgar a abertura de escritórios em praças diferentes. Mas só o fazemos depois da certeza de que a portinha está aberta e funcionando a todo vapor. Mesmo assim, ao abordar os jornalistas sobre o tema, a maioria diz: “Isto dá no máximo uma notinha”. Por que neste caso foi diferente?

bjs,

Roberta

5 Responses to “É notícia?”

  1. Sou o autor da reportagem “Hora de ir para o mundo”, publicada pelo Meio & Mensagem do dia 6 de julho, que motivou este post da Roberta. Minha intenção é responder a pergunta que ela propõe no título: sim, o plano de expansão internacional do Grupo ABC é notícia. E mais, um veículo especializado no mercado de comunicação e marketing não poderia ignorar tal informação – como, de fato, nenhum ignorou.

    Uma leitura mais atenta da reportagem justifica por si só a relevância da informação. Então vejamos: o Grupo ABC é a maior holding do mercado publicitário brasileiro – target ao qual se destina o Meio & Mensagem – e a vigésima maior do mundo; a divulgação da intenção de abertura da base em Nova York revela os planos de intensificar uma expansão internacional que, de fato, já acontece desde o ano passado, com uma agência na Califórnia; a agência em questão, a Pereira & O’Dell, é a maior empresa de capital brasileiro atuante no mercado publicitário norte-americano – o maior e mais relevante do mundo para a indústria da comunicação; a reportagem revela ainda que Nizan Guanaes, um dos mais conhecidos e importantes publicitários brasileiros, está assumindo o cargo de chairman do Grupo ABC; além disso, está passando o comando executivo da holding para os seus outros dois sócios: Guga Valente e Sérgio Valente; a reportagem informa também sobre negociações em curso nos Estados Unidos para expansão dos negócios de entretenimento do Grupo ABC, encabeçados pelo executivo Paulo Zottolo, ex-presidente de duas importantes empresas no Brasil: Philips e Nivea.

    Sobre o post da Roberta, é importante fazer algumas considerações e correções. Ela diz: “Na capa do Meio & Mensagem, o publicitário Nizan Guanaes estampava uma matéria sobre a pretensão dele em abrir um escritório em NY”. Está errado. Na verdade, quem estampou a reportagem na capa foi o próprio Meio & Mensagem e não o publicitário Nizan Guanaes, que não decide a nossa pauta.

    E, finalmente, sua tese sobre “intenção” versus “fato” não se sustenta e, certamente, não encontrará respaldo em nenhuma redação séria. É óbvio que a divulgação de uma intenção é notícia mesmo antes de virar fato. Imagine você se o presidente Lula der uma entrevista hoje dizendo que tem a intenção de elevar o salário mínimo para mil reais. Amanhã todos os grandes jornais brasileiros trarão a notícia na primeira página. Imagine você se o presidente da Coréia do Norte, Kim Jong-il, der hoje uma entrevista dizendo que tem a intenção de intensificar os testes nucleares na semana que vem. Amanhã, todos os principais jornais do mundo trarão a notícia na primeira página.

    Os jornais diários, as revistas semanais, os canais de notícia no rádio e na TV estão cheios de reportagens “sobre o futuro”. Os veículos de informação relevantes não ficam esperando o release oficial informar que a “portinha está aberta e funcionando a todo vapor”. Pelo contrário, apuram as intenções, adiantam as tendências, noticiam antes da “portinha” ser efetivamente aberta. Evidentemente, quanto mais relevante foi a “portinha”, mais espaço a notícia terá.

    Alexandre Zaghi Lemos (azlemos@grupomm.com.br), repórter do Meio & Mensagem.

  2. em tempos de blogs e twitter alimentados pelo celular, dando a notícia no segundo que acontecem, os impressos precisam fazer futurologia para sair na frente:

    # Nizan pretende abrir escritorio em NY

    # google lança OS Chrome para concorrer com a Microsoft: chega ao mercado no fim de 2010

    # microsoft disponibiliza Office na web: chega ao mercado no final de 2010.

    são exemplos de “notícias” que os impressos conseguiram dar antes simplesmente porque não existem ainda.

    abs, @gfortes

  3. Intenções empresariais são uma coisa.

    Intenções governamentais, outra.

    (E Intenções da imprensa, outra ainda… vide os factóides em torno do 3º mandato de Lula, Blog da Petrobras etc)

  4. Obrigada por responder o post. A ideia do blog é realmente estabelecer um diálogo.

    Em relação ao “Nizan estampa”, o que quis dizer é que ele ilustra, ele aparece na matéria – e não que ele havia feito o ato de estampar, que ele fosse o agente. Não tenho dúvida alguma sobre a idoneidade do Meio&Mensagem e dos profissionais que trabalham no veículo. Sou assinante e respeito muito o veículo. Para mim é muito claro que as pautas publicadas no jornal são determinadas por vocês, repórteres e editores, sem qualquer intermediação externa.

  5. Acredito que isso foi uma mancada da assessoria de imprensa, do próprio Nizan, ou falta de comunicação, isso é muito comum, mas acabamos pegando por ser importante, enfim acho que ele conseguiu a atenção devida!

    Abraço a todos!

    Renato Santhinon
    http://www.pdvnews.com.br

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